Êxodo 17. 1-7

Em nome de Jesus. Amém.

            No nosso contexto, nós, volta e meia, precisamos usar o ônibus. Eu não tinha esse problema de onde eu vim e fiz uma descoberta: Eu não gosto de esperar ônibus. Não sei se isso é um lazer para alguns, mas, enfim, tira o nosso conforto. Pensando sobre isso me parece que uma das coisas mais irritantes disso tudo é que não podemos controlar quando o ônibus chega. Perdemos o controle do tempo, ainda mais no Brasil onde ele nunca chega na hora. Ficamos irritados e perdidos quando nosso planejamento vai por água abaixo.

            O povo de Israel vivia em uma certa rotina enquanto ainda estavam no Egito trabalhando como escravos. Tinham, de forma precária, água, comida, viviam, trabalhavam, ficavam velhos e morriam. Por mais infeliz que fosse, ainda assim, podiam “prever o futuro”. Assim como nós constantemente prevemos o futuro, o jornal nos diz o tempo de amanhã, o preço das coisas, o que está acontecendo pelo mundo e onde tudo isso vai parar. Mas Deus decide tirar o povo de Israel dessa rotina. Tira o povo da escravidão e leva para o deserto. No deserto o povo está sem recursos. O deserto é um lugar sem nada, sinônimo de solidão e falta de vida. Ali Deus colocou o povo de Israel.

            Depois de um tempo o povo começa a passar por algumas dificuldades e, no nosso texto, a falta é de água. Então, as pessoas olham para suas famílias e suas criações e começam a ter medo, medo por estar em um lugar onde não podem prever nada. Estão na total dependência no meio do deserto. O que comer e o que beber não depende mais deles. Ficam incomodados com esta falta de controle e começam a se questionar e duvidar se Deus está presente naquele momento.

            Chegaram num impasse. Aqueles que antes desejavam a liberdade, agora veem nela uma maldição. Acreditam que desejaram a coisa errada. Pois agora a vida é incerta, não dá para prever quando a morte virá a todos. Não está nas mãos deles. A necessidade do povo faz com que eles acreditem que Deus não mais os ama, a ponto de pensar que Ele os abandonou no meio do deserto, o mesmo Deus que os libertou, fazendo-os atravessar um mar em terra seca. Começam a se perguntar: onde está Deus?

            De todas as perguntas que passam pela cabeça das pessoas, esta é uma das mais presentes. O ser humano tem dificuldades de acreditar naquilo que não vê. É muito comum tentarmos procurar onde Deus está, pedindo sinais especiais, questionar e duvidar. Essa pergunta é muito difícil para o ser humano.

            Porém Deus nos mostra a sua presença de uma outra perspectiva. Como ele se apresentou no nosso texto? Deus fala para Moisés bater na pedra em Horebe e da pedra sai água para o povo beber. Por mais que o nosso texto diga que Deus estava junto neste momento, as pessoas viram somente a Moisés. E agora? Será que Deus realmente não se faz presente entre o povo?

            Deus nos convida a olharmos esta passagem com cuidado. Ele se esconde na figura de Moisés e assim ele mesmo dá água para o seu povo sedento. Essa é a nova perspectiva. Deus se esconde nas coisas e nas pessoas para nos dar cada dia dádivas e milagres.

            Quando olhamos para as pessoas Deus está escondido por detrás delas. E estas pessoas nos estendem comida, água, roupas, vestes, abraços, acolhimento, sua amizade e fazem com que nos sintamos pessoas amadas. Através das pessoas Deus realiza suas obras nos conservando e amando, pois somos seus filhos amados.

            Mas como nos tornamos estes filhos amados? Deus em sua graça decidiu amar o mundo da seguinte forma, ele enviou seu único filho Jesus Cristo para o mundo. Aqui no mundo ele assumiu a forma de servo. Ele não tinha aparência nem formosura. As pessoas que olhavam para ele não viam nada que os agradasse. Era desprezado e muito rejeitado entre os homens, não estavam nem aí para ele. Mas justamente este homem, a quem nenhuma pessoa atribuiria valor, este homem era também Deus que estava escondido entre nós.

            Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossa dores carregou. Quem olhava para ele dizia que estava pagando por seus próprios pecados e maldades. Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões e foi moído pelos nossos pecados. O castigo que estava sobre ele era o nosso castigo e através do sofrimento dele nós fomos curados.

            Por mais improvável que seja é na cruz de Cristo que nós conhecemos o amor de Deus por nós. O único justo que morreu carregando o nosso pecado e a nossa morte. Ele nos carrega para dentro dele no nosso batismo. Ali nós morremos com Cristo para o pecado, a morte que nos condena para o inferno ele morreu por nós. E se com ele morremos com ele nós ressuscitamos para a eternidade. Agora Cristo faz brotar em nós uma fonte de água da vida.

            A nossa vida toma uma perspectiva diferente. Não precisamos mais sair por aí procurando Deus. Pois ele apresenta seu amor todos os dias de forma escondida. Nas pessoas que vemos e nas coisas que recebemos diariamente é a presença de Deus nas nossa vidas. Vocês foram carregados para dentro de Jesus Cristo no batismo. Agora são pequenos cristos que carregam o amor de Deus por onde vocês andam. Mesmo que seja na parada do ônibus ou quando a morte vem ameaçar vocês, Deus prometeu estar presente. Deus mostra ao povo que mesmo ele não aparecendo diante dele como eles gostariam, ele jamais deixou faltar o principal, a salvação. Se a vontade de Deus é esta, em nos dar aquilo que não merecemos, que esta vontade nunca acabe. Amém.

Aluno: Gabriel Sonntag, quarto ano teológico, Seminário Concórdia

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